domingo, 30 de novembro de 2008

...

abriu a gaveta e encontrou um pedacinho de solidão que já nem lembrava mais existir
desabotoou o vestido e costurou-o ao lado
do peito esquerdo.

terça-feira, 18 de novembro de 2008

de malha branca

Há um tempo em que é preciso abandonar as roupas usadas. Que já têm a forma do nosso corpo, e esquecer os nossos caminhos que nos levam sempre aos mesmos lugares. É o tempo da travessia; e se não ousarmos fazê-la, teremos ficado para sempre, à margem de nós mesmos.

fernandopessoa




sexta-feira, 14 de novembro de 2008

anonao. não.

já não sei dizer sim tão facilmente.
são outros tempos conjugados.

aaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaa.
b.


telefone de lagosta. ventilador de penas. rasgo no olho pra ver o cheiro colorido do arco-iris.

segunda-feira, 27 de outubro de 2008

to do music: scissors

Sounds so absurd Haven't had a dream in a long time it's my 52 favourite thing if I come and hold you now you got the glue Do you like pretty things? Life goes easy on me it’s the storm that i believe in There's no guarantees Go or go ahead and surprise me Except the little fish, I'll try the things you'll never try I've lost my words There's a lot to be done while your head is still young Here I'm alive, everything all of the time Big nothing

quinta-feira, 9 de outubro de 2008

colocou o tapete pra lavar, a poeira criara uma nova textura por cima das costuras revelando outros desenhos que ela já até havia se acostumado. mesmo assim, era precisa lavá-lo e levou até a lavandeira. depois de mil recomendações, voltou pra casa. levou um susto ao entrar na sala, parecia que aquele lugar não a pertencia, ou era ela quem não fazia mais parte. fazia tempo que o tapete reconfigurava aquele espaço, escondendo o piso que revelava tantas lembranças. paralisada, ela mapeava com o olhar cada azulejo, cada traço que formava seu adormecido chão de estrelas. lembrou do tempo em que a paciência lhe fazia passar noites a dentro recortando revistas, papéis e palavras que vestiam banquinhos, caixas e cartas, que ganhavam vida e eram divididos entre amigos e amantes. lembrou também do cheiro do verniz, do café forte que a mantinha acordada pra suas idéias e da ursa maior que cuidava dos seus sonhos. uma brisa que escapou pela fresta da janela tocou seu rosto e a despertou, trazendo foco aos seus olhos perdidos. percebeu o quanto era bom e ainda poderia ser. coragem.


lembrar: beth gibbons.

terça-feira, 30 de setembro de 2008

pintura a óleo.

olhos fechados e teu indicador a desenhar o meu rosto. desconfio estar sendo feita de laranja.
primeiro, a sobrancelha em uma camada fina e fria que desce pelo nariz,
refazendo os contornos, eternizando meu meio-sorriso, até a boca. pausa.
depois, pescoço, ombros, e, espalhando-se pelas costas, revela curvas, arrepios e asas.
não resisti. um dia volto.




caixa de hai kai:
"vôo de borboletra
do mundo das coisas
pro mundo das letras"

segunda-feira, 25 de agosto de 2008