"Passa uma borboleta por diante de mim
E pela primeira vez no Universo eu reparo
Que as borboletas não têm cor nem movimento,
Assim como as flores não têm perfume nem cor
A cor é que tem a cor das asas da borboleta,
No movimento da borboleta o movimento é que se move,
O perfume é que tem perfume no perfume da flor.
A borboleta é apenas borboleta
E a flor é apenas flor."
[Alberto Caeiro]
sexta-feira, 18 de janeiro de 2008
segunda-feira, 14 de janeiro de 2008
que venha.
na contagem regressiva para novos começos, sou guiada pela vontade de arregalar os olhos e enxergar além da superfície, tirando a embalagem para absorver o conteúdo das coisas, fuçando cada fresta que aparecer no caminho. anseio por descobrir novas cores e poder perceber as nuances sem pressa, mas com intensidade. quero abrir as narinas e encher os pulmões de coragem para provocar meus limites, propor-me a desafios e expirar o ar que leve qualquer medo para bem longe. depois de sentir o cheiro, quero provar dos mais variados temperos. entre os dentes, quero mastigar devagar e distinguir cada sabor e textura. quero ouvir: os barulhos das cidades, os sons de suas ruas e de seus transeuntes. quero música, mas é muita, para fazer o corpo dançar, sacudir a alma e suar, que é para ficar mais leve, levinha. com os pés no chão, quero pegar impulso e pular o mais alto possível, para alcançar as estrelas desse novo céu que estou prestes a descobrir.
...
do tempo, [d]as vontades.
da parede, uma página do calendário destacável cai.
e lá se vai mais um dia. é um dia a menos e um a mais.
...
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do tempo, [d]as vontades.
da parede, uma página do calendário destacável cai.
e lá se vai mais um dia. é um dia a menos e um a mais.
...
sábado, 29 de dezembro de 2007
Rifa-se um coração
Rifa-se um coração quase novo.
Um coração idealista.
Um coração como poucos.
Um coração à moda antiga.
Um coração moleque que insiste
em pregar peças no seu usuário.
Rifa-se um coração que na realidade está um
pouco usado, meio calejado, muito machucado
e que teima em alimentar sonhos e, cultivar ilusões.
Um pouco inconseqüente que nunca desiste
de acreditar nas pessoas.
Um leviano e precipitado coração
que acha que Tim Maia
estava certo quando escreveu...
"...não quero dinheiro, eu quero amor sincero,
é isso que eu espero...".
Um idealista...Um verdadeiro sonhador...
Rifa-se um coração que nunca aprende.
Que não endurece, e mantém sempre viva a
esperança de ser feliz, sendo simples e natural.
Um coração insensato que comanda o racional
sendo louco o suficiente para se apaixonar.
Um furioso suicida que vive procurando
relações e emoções verdadeiras.
Rifa-se um coração que insiste em cometer
sempre os mesmos erros.
Esse coração que erra, briga, se expõe.
Perde o juízo por completo em nome
de causas e paixões.
Sai do sério e, às vezes revê suas posições
arrependido de palavras e gestos.
Este coração tantas vezes incompreendido.
Tantas vezes provocado.
Tantas vezes impulsivo.
Rifa-se este desequilibrado emocional
que abre sorrisos tão largos que quase dá
pra engolir as orelhas, mas que
também arranca lágrimas
e faz murchar o rosto.
Um coração para ser alugado,
ou mesmo utilizado
por quem gosta de emoções fortes.
Um órgão abestado indicado apenas para
quem quer viver intensamente
contra indicado para os que apenas pretendem
passar pela vida matando o tempo,
defendendo-se das emoções.
Rifa-se um coração tão inocente
que se mostra sem armaduras
e deixa louco o seu usuário.
Um coração que quando parar de bater
ouvirá o seu usuário dizer
para São Pedro na hora da prestação de contas:
"O Senhor pode conferir. Eu fiz tudo certo,
só errei quando coloquei sentimento.
Só fiz bobagens e me dei mal
quando ouvi este louco coração de criança
que insiste em não endurecer e,
se recusa a envelhecer"
Rifa-se um coração, ou mesmo troca-se por
outro que tenha um pouco mais de juízo.
Um órgão mais fiel ao seu usuário.
Um amigo do peito que não maltrate
tanto o ser que o abriga.
Um coração que não seja tão inconseqüente.
Rifa-se um coração cego, surdo e mudo,
mas que incomoda um bocado.
Um verdadeiro caçador de aventuras que ainda
não foi adotado, provavelmente, por se recusar
a cultivar ares selvagens ou racionais,
por não querer perder o estilo.
Oferece-se um coração vadio,
sem raça, sem pedigree.
Um simples coração humano.
Um impulsivo membro de comportamento
até meio ultrapassado.
Um modelo cheio de defeitos que,
mesmo estando fora do mercado,
faz questão de não se modernizar,
mas vez por outra,
constrange o corpo que o domina.
Um velho coração que convence
seu usuário a publicar seus segredos
e a ter a petulância de se aventurar como poeta.
clarice.
ah, coração.
quarta-feira, 19 de dezembro de 2007
lá fora, a cidade acontece.
aqui, revela-se cumplicidade.
uma rede a balançar vontades possíveis e impossíveis,
que vão e vêm, embaladas por leveza e brancura.
uma rede a balançar vontades possíveis e impossíveis,
que vão e vêm, embaladas por leveza e brancura.
segunda-feira, 10 de dezembro de 2007
retalho favorito.
seguro a barra da saia como quem quer abarcar o mundo com
um retalho de pano.
faço o meu mal-me-quer para despetalar rosas
perdidas no meio do caminho.
o que sobra, o bolso amarelo, no meio do peito, guarda.
depois, procuro o meu lugar no meio do jardim
para colocar as sementes que desejo colher mais adiante.

sábado, 8 de dezembro de 2007
sábado, 1 de dezembro de 2007
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